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22/07/2016

Uso da vitamina C

Algumas pessoas tem o hábito de consumir
cápsulas efervescentes para reposição do nutriente
em épocas de baixas temperaturas, porém não há
evidência científica que comprove a prevenção de gripes
e resfriados.

Com a queda na temperatura nos estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil, é comum que a população seja acometida por gripes e resfriados e para prevenção, muitos fazem uso diário de cápsulas efervescentes de vitamina C, que são vendidas em farmácias e sem necessidade de prescrição médica. Porém, não há evidência científica que comprove que o uso do nutriente previna o surgimento de infecções como gripe (incluindo o H1N1) e resfriados. O apontamento é da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), a partir de revisão sistemática do Cochrane Database of Systematic Reviews.
“Nos anos 70 passou a ser amplamente divulgado que a vitamina C poderia prevenir ou até mesmo tratar resfriados, porém isso passou a ser questionado e mais estudado recentemente. Uma revisão sistemática da Cochrane, que incluiu vários estudos comparativos, envolvendo mais de 11 mil pessoas concluiu que o efeito preventivo ou curativo da vitamina C não passa de um mito”, explica Rodrigo Lima, diretor de comunicação da SBMFC.
Com essa revisão foi constatado que os participantes que ingeriram pelo menos 0,2 gramas de vitamina C por dia não tiveram modificação na incidência do resfriado, o que significa que não é eficaz na prevenção da doença. Em outra abordagem, pela mesma revisão, 31 estudos que somam mais de nove mil participantes, constou que esse consumo influencia apenas em pequena redução da duração de sintomas de resfriados. Os resultados indicam que não houve efeito preventivo ou até uma amenização dos sintomas, quando o resfriado acometeu os participantes do estudo. Dados indicam que o uso da vitamina C, mas no início do resfriado pode ser considerado útil, porém são necessários mais estudos que indicam que a vitamina tenha algum benefício no tratamento da gripe e resfriado.

Quando usar e quais cuidados ter

Pessoas com tendência a formar cálculo renal ou que tenham casos próximos na família precisam evitar consumir o suplemento. Por isso, é necessário repetir que o uso de qualquer medicação deve ser acompanhado por um especialista, mesmo aquelas que não precisam de receita para serem adquiridas. Algumas marcas do produto vendem o comprimido com um grama. Mas acima de 500 miligramas, o organismo não absorve mais e o excesso será excretado pela urina.
Reduzir o uso de remédios sem orientação é uma estratégia a favor da saúde e a conclusão é de que a alimentação é a principal aliada para se evitar doenças. Nesse caso, a gripe é um bom exemplo para entender como um e outro agem. O próprio organismo resolve a situação. No início da gripe, até o organismo reconhecer qual vírus está atuando, ele vai se replicando e os sintomas aparecem. A partir daí, começa a atuar na defesa e vai matá-los. Antitérmicos, anti-inflamatórios, descongestionante nasal servem para aliviar os sintomas e não para solucionar a gripe.

Mas como fortalecer
o sistema imunológico?

É possível fortalecer o sistema imunológico com uma boa alimentação e outros componentes indispensáveis nessa construção. As vitaminas A (presente nos alimentos de cor alaranjada como cenoura, abóbora, mamão e também na gordura do leite e do queijo) e C (encontrada na laranja, mexerica, goiaba, morango, tomate, pimentão, limão e acerola) precisam estar no cardápio de qualquer pessoa, não somente nas situações de gripe, quando não há efeito terapêutico. Além delas, as proteínas de alto valor biológico, como as carnes, leite e derivados e o zinco, presente em alimentos à base de cereais integrais, também são imprescindíveis.
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Notícia relacionada à revista: Especial Saúde jul/2016