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22/07/2016

Não contém glúten

Quantas vezes já lemos essa frase em embalagens
de alimentos como pães, biscoitos, bolos, bolachas e massas?
Apesar da grande frequência com que esse aviso aparece, o glúten ainda é
encontrado em uma infinidade de outros produtos industrializados de consumo.
Saber quais os cuidados ao ingerir esses alimentos tem sido uma preocupação crescente
na população, tanto para quem sofre mudanças no organismo por causa do glúten,
como para os chamados celíacos, pessoas com intolerância a essa substância.

Glúten:
Causas, sintomas e tratamentos para celíacos

Você já ouviu falar da doença celíaca? Estima-se que 1% da população mundial tem doença celíaca e não sabe. Trata-se de uma enfermidade que vem atingindo cada vez mais pessoas no mundo inteiro. O número de casos bem como a busca por informações cresceram e por isso, é preciso entender mais sobre o assunto.
Um paciente diagnosticado com doença celíaca não pode comer nenhum tipo de alimento que contenha glúten. Trata-se de uma doença autoimune, ou seja, as próprias células de defesa imunológica agridem as células do organismo, causando um processo inflamatório. Na doença celíaca, a inflamação é provocada pelo glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Esse processo inflamatório, que no caso ocorre na parede interna do intestino delgado, leva à atrofia das vilosidades intestinais, gerando diminuição da absorção dos nutrientes.
Trata-se de uma doença caracterizada pela intolerância a ingestão de glúten, pois esta proteína provoca lesões no intestino delgado, que impedem a absorção dos nutrientes dos alimentos. Consequentemente, os celíacos também são intolerantes a lactose, intolerância esta que pode ser temporária ou permanente.

Sintomas:
Diarreia crônica, perda de peso e anemia podem ser alguns sintomas da doença celíaca, que acontece quando o organismo apresenta intolerância ao glúten, o que significa não poder ingerir alimentos como pães, bolos, pizza, cerveja, macarrão, entre outros. O médico gastroenterologista Augusto Fey, explica que, por ser uma doença de origem genética, não há como prevenir. Segundo ele, os indivíduos predisposto já nascem com essa alteração no organismo. Porém em alguns casos, a pessoa só desenvolve a intolerância na vida adulta.

Diagnósticos
A doença pode ser diagnosticada por meio de exames de sangue. No entanto, o diagnóstico exato se dá somente através de endoscopia seguida de biópsia, pois os sintomas são muito variados e constantemente associados com outras doenças. Normalmente se manifesta em crianças com até um ano de idade, quando começam a ingerir alimentos que contenham glúten ou derivados. A demora no diagnóstico leva a deficiências no desenvolvimento da criança. Em alguns casos se manifesta somente na idade adulta, dependendo do grau de intolerância ao glúten, afetando homens e mulheres.

Tratamentos
O principal tratamento é a dieta com total ausência de glúten; quando a proteína é excluída da alimentação os sintomas desaparecem. A maior dificuldade para os pacientes é conviver com as restrições impostas pelos novos hábitos alimentares. A doença celíaca não tem cura, por isso, a dieta deve ser seguida rigorosamente por toda vida.
De acordo com o gastroenterologista algumas pessoas são muito sensíveis ao glúten e qualquer contato com o glúten pode ser prejudicial. “Às vezes o paciente segue uma dieta rigorosa e mesmo assim acusa a presença da doença, isso se dá através de qualquer tipo de contato com o glúten. É preciso ter um cuidado especial com isso. Tem gente que entra na padaria e isso já é suficiente para desencadear reações da doença, devido as partículas de trigo que se encontram no ar”, explica.

Alimentação controlada
Você já deve ter visto algum produto com a descrição sem glúten e sem lactose. Mas sabia que nem todos os produtos que contém essa informações realmente possuem essa composição? Segundo a empresária Silvana Roussenq Metzler, da Sans Blé, empresa rio-sulense fabricante de produtos isentos de glúten e lactose, todos os produtos devem conter de forma clara as informações que alertam sobre a introdução desses compostos ou que também sejam alérgicos.
Uma pessoa diagnosticada como celíaca deve ter uma alimentação controlada. Esta é a única forma de amenizar os sintomas da doença. “Depois de muitos exames descobri que era celíaca e daí em diante, tive que ter muitos cuidados com a dieta”, ressalta Silvana.
A alimentação rígida e controlada foi uma dificuldade para ela, que quase não encontrava produtos de consumo. Assim, começou a fabricar seus próprios alimentos, que mais tarde virou um negócio, uma empresa focada em soluções para portadores de doença celíaca.

E como lidar com a doença na infância?
Em primeiro lugar é preciso deixar a criança ciente do perigo que a saúde pode correr ao consumir qualquer alimento que contenha glúten. Quando a criança é muito nova, ela não sabe distinguir o que é proibido ou liberado, por isso é muito importante a atenção de todos da família, já que a oferta de guloseimas que prejudicam o celíaco é muito grande.
Segundo Silvana, já existem muitos produtos que podem substituir as tradicionais guloseimas. Além disso, os cuidados também se estendem a rotina diária, os cuidados na escola também são essenciais, produtos como massinhas de modelar e cola possuem glúten, é preciso ficar atento já que qualquer item que contenha a substância pode ser prejudicial.

Números Da doença celíaca:

Afeta em torno de duas milhões de pessoas no Brasil, mas a maioria delas encontra-se sem diagnóstico.
A doença celíaca pode aparecer em qualquer fase da vida, e atualmente, estima-se que a cada 400 brasileiros um seja celíaco.
De cada oito pessoas que possuem a doença, apenas uma tem o diagnóstico.
A doença celíaca é cosmopolita e afeta pessoas de todas as classes sociais. No Brasil a miscigenação vem rompendo a barreira etno-racial sendo diagnosticada entre os afrodescendentes e os povos indígenas.
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Notícia relacionada à revista: Especial Saúde jul/2016