Incubadora: o trampolim para o sucesso das startups

Crédito: Effecti

Incubadora: o trampolim para o sucesso das startups

Instituições têm como objetivo apoiar o desenvolvimento de negócios, que possuem grandes chances de expansão por se desenvolverem em um ambiente propício à inovação e ao empreendedorismo 

Dar o passo inicial para empreender pode ser difícil para muitas pessoas. Abrir um negócio pode ser desafiador, fazê-lo prosperar é ainda mais. Entretanto, existem muitas maneiras de incentivar o empreendedorismo, dentre elas as incubadoras de empresas. Essas instituições têm como objetivo ajudar o empreendedor a desenvolver o negócio, elas proveem espaço físico e infraestrutura para empresas em fase inicial, além disso oferecem apoio administrativo e na gestão, por vezes, também oferecem capacitação. É neste espaço que os iniciantes podem ter contato com outras pessoas que estão na mesma situação, trocar ideias, conhecer mentores e até mesmo fechar negócios e parcerias. 

Uma empresa que começa a sua jornada incubada tem grandes chances de expansão e crescimento, isso porque está sendo desenvolvida em um ambiente voltado ao empreendedorismo e à inovação. Quando incubados, os empreendedores são apoiados em diferentes áreas, como captação de recursos, contabilidade, gestão, assistência jurídica, marketing e comercialização. Todo esse suporte é oferecido nas três principais fases que os negócios passam durante a jornada na incubadora: (1) implantação, em que é formada a equipe de trabalho e constituída a empresa, identificando propósito e potencial de crescimento; (2) consolidação ou crescimento, em que há o desenvolvimento técnico da solução e início da comercialização do produto ou serviço; e (3) maturação, que ocorre quando a startup já passou por toda a etapa de qualificação e aprendizados e inicia o processo de caminha sozinha. 

Em Santa Catarina, o MIDITEC, programa de incubação da ACATE em parceria com o SEBRAE/SC, atua há mais de 20 anos apoiando e desenvolvendo empreendedores e negócios inovadores de alto impacto. Eleito pela UBI Global como uma das cinco melhores incubadoras do mundo, o programa já desenvolveu mais de 100 startups. Natália Ferreira, gerente dos programas estratégicos da ACATE, destaca que este apoio é de grande valia. “O  empreendedor tem acesso a uma gama de serviços de alto valor agregado que contribuem para que essa jornada seja mais facilitada. Além de mentorias, consultorias, capacitações e acesso a todo um ecossistema, o empreendedor é assistido de perto através do acompanhamento que a incubadora faz, possibilitando dar luz a esse “caminho das pedras” e acelerar o desenvolvimento da startup”, explica. 

Um exemplo de sucesso na incubação é a Asksuite, startup não-residente do MIDITEC. A empresa recebeu recentemente um investimento de R$ 4 milhões do fundo de venture capital Abseed para expandir o negócio. Em apenas três anos, a empresa, que desenvolve uma plataforma de vendas diretas e atendimento para hotéis conquistou 1,3 mil clientes em mais de 25 países e realizou mais de 10 milhões de atendimentos por meio do seu chatbot. 

Outro bom exemplo que passou pelo MIDITEC foi a aquisição da startup Arvus, de Florianópolis, em 2014 pela multinacional Hexagon, líder global em em sensores, software e soluções autônomas. Criada por três colegas do curso de Engenharia de Controle e Automação da UFSC, em 2004, a startup de tecnologia para a agricultura tinha como foco os mercados de grãos e florestal. O cofundador da Arvus, engenheiro Bernardo de Castro, se mantém até hoje na presidência da divisão de Agricultura da Hexagon, que desenvolve e fornece soluções que convertem dados em informações inteligentes e que permitem planejamento inteligente, execução eficiente no campo, controle preciso de máquinas e fluxos de trabalho automatizados.

A jornada empreendedora no interior 

A Transfeera, fintech open banking, ficou incubada durante dois anos na Softville, incubadora da cidade de Joinville (SC). Para Guilherme Verdasca, CEO da startup, é na incubadora que o ecossistema acontece: “nessa experiência, o que foi mais significativo para a Transfeera foi a vivência com outras startups em um mesmo ambiente. Pode trocar ideias, ajudar e ser ajudado não tem preço”. O CEO ainda comenta que a empresa ainda está conectada com a Softville, conectando com outros negócios e fomentando o ecossistema da cidade. “Durante esses dois anos que passamos por lá, fomos apoiados com conhecimento em questões regulatórias, acesso ao network governamental, um escritório subsidiado que nos ajudou muito no começo. Com tudo isso, conseguimos desenvolver a empresa e hoje temos uma atuação bem forte na região, retribuindo ao ecossistema o que nos foi proporcionado”.  Hoje, Guilherme Verdasca e Fernando Nunes, CMO da fintech, são mentores da SoftVille. 

Jonatan da Costa, CEO da Área Central, conta que sua jornada empreendedora começou em 2004, com a fundação e incubação da empresa Área Local, na UNIDAVi, em Rio do Sul (SC). Jonatan era servidor da universidade e junto de um colega submeteu o projeto nesse formato de criação e desenvolvimento de empresas. Durante o período de incubação, ele foi desafiado por um cliente — uma rede associativa de supermercados — a criar uma intranet para gestão de compras do grupo. A demanda gerou um produto, batizado de Área Central, que em 2012 se desvinculou da primeira empresa, se tornando uma organização própria. Jonatan conta que a incubação foi decisiva para o desenvolvimento dos negócios e uma grande oportunidade para empreender: “foi por meio da criação da incubadora na universidade que tive a oportunidade de empreender em tecnologia”, comenta.

Durante pouco mais de três anos, a Effecti, startup de Rio do Sul especializada em automação para participantes de licitações, ficou incubada no GTEC, Núcleo de Desenvolvimento da Incubação da UNIDAVI. Um período que, segundo Fernando Salla, CEO da empresa, foi fundamental para o crescimento do negócioe desenvolvimento dos sócios como empreendedores. “Quando entramos na incubadora, éramos apenas dois programadores com uma ideia. Lá criamos uma nova visão, entendemos que não bastava a gente saber de tecnologia, que uma empresa dependia de estratégias comerciais, de marketing, gestão de pessoas, e precisávamos nos desenvolver em diversas áreas para  que nosso negócio desse certo”, explica. 

Além disso, Fernando destaca que as conexões propiciadas pela incubadora também foram fundamentais para os primeiros anos de empresa. “Conhecemos outros ecossistemas, o que foi muito importante para entendermos sobre padrões de mercado, trocar experiências, além de termos entrado em outros programas de capacitação por intermédio da incubadora. Esses benefícios são imensuráveis, vai muito além de um aluguel mais em conta. Tudo isso, junto com o nosso desejo de evoluir, fez uma grande diferença”, finaliza Salla.

Legenda para foto: Fernando Salla e Everton Porath, fundadores da Effecti, quando a empresa funcionava dentro de uma pequena sala  na incubadora. Hoje a Effecti possui sede próprio e mais de 40 colaboradores.

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