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OANDA - Aumento de ouro e petróleo, MXN, ARS e BRL em relação à expectativa do BCE

Quarta-feira, 11.09.2019

Por Alfonso Esparza, analista sênior de mercado da OANDA para América Latina

O dólar dos EUA opera misto com as moedas mais cotadas no mercado de câmbio. Os mercados em geral operam na expectativa da decisão do Banco Central Europeu na quinta-feira. Eventos macroeconômicos criaram uma combinação de notícias positivas e negativas para diferentes ativos e investidores aguardam o banco central.

MXN

O peso mexicano opera em baixa nesta quarta-feira. A moeda negocia em 19.5063 e valorizou mais de dois por cento em setembro, mas a questão de qual será o anúncio da política monetária pelo BCE na penúltima reunião de seu presidente Mario Draghi, mantém os mercados emergentes em uma pequena baixa.

As concessões da China aos produtos dos EUA começam a reconstruir as relações comerciais e, com isso, aumentam a possibilidade de um tratado entre as duas potências. A guerra comercial entre os dois foi o maior fator que pressionou o crescimento global e levou ao peso acima do nível psicológico de 20 pesos por dólar.

O apetite dos investidores por riscos se fez presente, mas, dada a decisão monumental do BCE, o mercado opera com ansiedade, uma vez que as expectativas são de um corte na taxa e o anúncio de novas medidas de estímulo.

Uma decepção do BCE poderia desencadear uma correção nas moedas latino-americanas com taxas de juros mais atraentes, mas no final do dia elas continuarão se fortalecendo se os eventos de risco continuarem sendo desativados.

Os dados de produção industrial no México não ajudaram por causa do peso. A produção em julho cai mais do que o esperado. As indústrias de mineração e construção sofreram os maiores retrocessos, com 2,9% e 1,4%, respectivamente, e a indústria de transformação aumentou 0,2% em julho.

ARS

O peso argentino opera em alta na quarta-feira. As notícias de que a China abrirá seu mercado de soja para o produto argentino impulsionam a moeda. O peso continua pressionado por uma possível inadimplência após as eleições primárias, mas se estabilizou com controles de capital e intervenções do banco central. O ARS está cotado em 56,09 e apresenta um retorno positivo de 6,14 em setembro, apoiado pela redução da aversão ao risco e pela entrada da soja argentina no mercado chinês.

BRL

O real brasileiro opera ligeiramente em baixa na quarta-feira. A moeda se valorizou no mês de setembro com o retorno do apetite de risco dos investidores. A trégua comercial entre a China e os EUA parece mais próxima depois que o gigante asiático reduziu as tarifas de certos produtos, o que parece ser um ato de boa vontade antes das negociações oficiais.

A moeda está sendo negociada a 4,08, mas valorizou 1,50% em setembro, mas continua em território negativo até agora este ano devido a indicadores econômicos mistos e ao impacto da guerra comercial no crescimento global.

OURO

O ouro sobe na quarta-feira com a crescente incerteza. O metal amarelo foi um dos perdedores com o retorno do apetite ao risco, mas com as dúvidas do mercado antes da decisão do BCE e as mudanças na Casa Branca, o ouro opera positivamente.

O ouro saiu dos níveis de US$ 1.500, chegando a US$ 1.484, o metal está agora em torno de US$ 1.492, depois que o presidente Trump atacou a Reserva Federal no Twitter, exigindo taxas mais baixas.

PETRÓLEO

O preço do petróleo tem estado volátil esta semana. Relatórios de menor demanda global pressionaram o petróleo a baixar. O anúncio da renúncia do conselheiro de segurança John Bolton pressionou ainda mais o petróleo, já que ele era uma das figuras agressivas na questão do Irã. Uma demanda menor e um possível acordo com o Irã encheriam o mercado com uma superprodução de petróleo e o preço refletiu essa possibilidade.

O relatório da API observou uma queda nos estoques de petróleo nos EUA. Na semana passada, os resultados da API e os dados oficiais não compartilharam o mesmo endereço. A API mostrou um pequeno ganho, e o relatório da EIA apresentou uma queda significativa. Desta vez, a API está registrando uma queda de 7,23 milhões de barris. A previsão dos dados oficiais da EIA é outra redução de 2,7 milhões de barris, após a queda de 4,8 milhões de barris da semana anterior.

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