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Pesquisas da Epagri com adubação e nutrição de cebola são referências para o Brasil

A nutrição de plantas é uma das principais áreas da Agronomia e estuda o fornecimento de nutrientes para as plantas através da utilização da adubação com fertilizantes minerais, orgânicos ou a combinação destes dois, pois as plantas não conseguem extrair quantidades suficientes dos nutrientes do solo. Assim, a nutrição de plantas é uma importante área da agronomia e tem uma relação direta com a qualidade dos alimentos que consumimos. O ser humano para ser saudável, além da prática de exercícios físicos, também precisa consumir alimentos nutritivos e saudáveis. E a agricultura por meio de pesquisas com fertilizantes minerais ou orgânicos proporciona a produção de alimentos que fornecem os nutrientes necessários para a dieta humana.

A região Sul concentra mais de 50 % da produção brasileira de cebola. O cultivo dessa hortaliça representa uma atividade socioeconômica de grande relevância para as regiões produtoras. Santa Catarina é o principal produtor, com cerca de 30 % da produção nacional sendo que a região do Alto Vale do Itajaí destaca-se por responder por mais de 70 % da produção catarinense de cebola.

Nos últimos 10 anos foram conduzidos diversos trabalhos de pesquisa na Epagri - Estação Experimental de Ituporanga buscando gerar tecnologias para o manejo adequado da fertilidade do solo e da nutrição da cultura da cebola. Estas pesquisas visam o uso racional de fertilizantes em quantidade, forma, local e época de aplicação dos nutrientes no solo para otimização dos resultados técnicos e econômicos desta hortaliça.

Dentre os principais trabalhos podemos citar os estudos para o manejo de nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), enxofre (S), micronutrientes (Mn, B e Zn) e determinação das curvas de absorção de nutrientes. Também estão sendo conduzidos estudos com pó de rocha e com resíduos orgânicos como o composto orgânico, o biocarvão e o esterco de aves na produção de cebola. Os estudos com resíduos ou subprodutos mencionados anteriormente visam o aproveitamento agronômico destes materiais com ciclagem de nutrientes, economia de fertilizantes minerais e ao mesmo tempo a destinação adequada destes materiais no ambiente por meio do uso agrícola.

No manejo de micronutrientes os resultados de pesquisa demonstraram que a adição de zinco via solo proporcionou um incremento no rendimento de 10 a 15% para todas as situações avaliadas. Para o boro, observou-se ganhos de rendimento de até 40 % quando adicionado via solo em áreas com teores baixo de matéria orgânica (MO). O manganês também apresenta resposta em algumas áreas, principalmente nos solos denominados Cambissolos húmicos (conhecidos popularmente como “faxinal”) e em áreas com pH elevado ou com problemas de incorporação de calcário.

Em relação ao N, os estudos demonstraram que o manejo adequado do N para cebola é de extrema importância, pois o suprimento de N inferior às exigências desta hortaliça reduz significativamente o rendimento. Por outro lado, o excesso de N ou o suprimento na época inadequada em relação às exigências das plantas, afeta a sanidade, a qualidade dos bulbos e aumenta as perdas de bulbos na pós-colheita. Verificou-se nas pesquisas que as doses de máxima eficiência técnica para as principais cultivares de cebola variaram em média de 120 a 200 kg ha-1 de N. Outro passo importante da pesquisa foi a determinação das curvas de crescimento e absorção de nutrientes que permitiu a indicação do melhor momento para realização das adubações de cobertura para nitrogênio e potássio.

Com relação ao manejo do P e do K os resultados experimentais indicaram baixa resposta para a adição do potássio e alta resposta para a adição de P em solos com teor baixo deste elemento. Porém, em solos com teores altos a resposta para o P também é baixa.

Em relação ao enxofre a Epagri deu uma importante contribuição para a cultura da cebola na identificação da deficiência e na recomendação de adubação com este nutriente. Atualmente, a Epagri determinou os teores críticos para este nutriente, recomendando a reposição quando os teores no solo forem inferiores a 20 mg dm-3 para os solos Cambissolos (solos mais comuns do Vale do Itajaí) e menores e 10 mg dm-3 para Nitossolos (solos mais comuns no Planalto e Oeste Catarinense).

Com base nos diversos trabalhos de pesquisa da Epagri foram geradas informações e tecnologias que deram origem a algumas publicações de grande importância para difundir e oportunizar a apropriação destas informações na cadeia produtiva da cebola, principalmente para o Sul do Brasil. Dentre as publicações específicas, capítulos ou parte de capítulos de livros com maior impacto publicadas com recomendações de adubação e nutrição da cultura da cebola podemos destacar o Manual de Calagem e Adubação para os Estados do RS e SC; Manual de Boas Práticas Agrícolas; Manual de Adubação e Calagem para o Estado do Paraná; o Boletim Técnico Fertilidade do Solo, Adubação e Nutrição da Cultura da Cebola; Sistema de Produção para a cebola e folders técnicos  (Fotos abaixo). Além destas publicações, ainda foram publicados outros trabalhos em eventos e em revistas técnico-científicas nacionais e internacionais.

Além das publicações citadas, as informações geradas pela pesquisa também são divulgadas pela extensão rural e em eventos realizados pela Epagri e outras instituições, tais como cursos, seminários, palestras, dias de campo entre outros. A Epagri contribui cientificamente na área técnica com a produção de conhecimentos para a produção de alimentos e também contribui socialmente com a divulgação das informações para público alvo (técnicos e produtores) e, portanto, é uma empresa com papel fundamental para o desenvolvimento sustentável do meio rural em benefício da sociedade.

Por: Claudinei Kurtz, Eng. Agr., Dr., Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e    Fábio Satoshi Higashikawa, Eng. Agr., Dr., Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas.

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