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Da casa no campo integrada à natureza e triplamente premiada em 2018, Cris Passing agora aposta na sustentabilidade

Arquiteta recebeu o maior número de premiações na história da Casa Cor no Brasil e agora traz o tema novamente à pauta no Lof Duo, uma proposta totalmente diferente, mas que mantém a essência do que é a marca do seu trabalho

A sustentabilidade, mola mestra do projeto mais premiado de todos os tempos na Casa Cor Santa Catarina, a Casa Grigio, presente na mostra em 2018 com 90% da fachada em vidro, feita de processo construtivo sustentável e integrada à natureza, é também o norte do novo projeto da arquiteta florianopolitana Cris Passing para a edição deste ano. Com uma grande mudança de cenário, saindo de uma extensa área verde em Santo Antônio de Lisboa para um empreendimento essencialmente urbano e encravado na região mais movimentada da Capital, o complexo Cidade Milano, a profissional mostra que é possível ter a natureza presente e apostar em recursos sustentáveis também na “selva de pedra” - diretriz também presente no projeto do empreendimento misto que sedia a mostra.

Em 2018, a Casa Grigio, eleita o melhor projeto, foi reconhecida pelo júri técnico da Casa Cor SC, pelos demais expositores e pela organização do evento, recebendo os troféus de Melhor Ambiente, de Destaque em Design – Desenhos preciosos do Mercado e de Melhor Parceiro Comercial. Além disso, foi o mais premiado em toda a história da Casa Cor no Brasil, sendo destaque também como foto mais curtida de todas publicações no Instagram Oficial da mostra e a casa mais votada entre as selecionadas de toda a edição. Ainda colhendo os frutos, Cris acaba de ser vencedora no XI Prêmio Internacional Tile Brasil 2019, na categoria cenário, sendo que o trabalho será publicado na revista Tile Brasil e vai rodar a feira Cersaie, em Bolonha, na Itália.

No projeto Cris apostou na sustentabilidade das paredes ao mobiliário, aproveitando ao máximo a iluminação natural, com luminárias em LED e permitindo ventilação cruzada. A ousadia chamou tanta atenção que ela recebeu várias propostas de aquisição da residência, já que uma das suas premissas de sustentabilidade foi a possibilidade de ser desmontada e remontada em qualquer lugar. Mas a paixão do marido da arquiteta pelo projeto acabou vencendo, e o destino da Casa Grigio foi o sítio da família em Rancho Queimado.

O Loft Duo, instalado na sobreloja do Cidade Milano, também tem como características o aproveitamento da luz natural e a opção pelo LED na luz artificial, mas é na forte e equilibrada presença de três elementos da natureza que está o carro-chefe do projeto: o uso da madeira, do ferro e da pedra, colhidos sempre em fornecedores com processos de extração e produção sustentáveis e certificadas. Estes três elementos entregam também uma preferência marcante no trabalho da profissional, além da sustentabilidade presente também na atemporalidade dos seus projetos. “Gosto de apresentar na Casa Cor exatamente o tipo de projeto que elaboro no meu dia a dia profissional. São escolhas de materiais, móveis e elementos atemporais. Gosto de projetos que sobrevivem ao tempo, o que também é uma prática sustentável”, define Cris.

São características dela, facilmente reconhecíveis no Loft Duo, a contemporaneidade, elegância, aconchego e nobreza dos ambientes. “Nesse projeto trabalho com materiais muito diversos, mas de uma forma muito pensada para ser bem equilibrada, com uniformidade e promovendo a sensação de boas escolhas, de ambientes clean, mas cheios de texturas, algumas peças de design em destaque e nada que canse fácil, pelo contrário. Gosto de trabalhar no presente construindo ambientes que sobrevivam ao futuro”, explica Cris. O Loft Duo é formado por hall de entrada, living, espaço da cozinha, quarto e banheiro, em uma área total de 165 m², sendo 150 m² na parte interna e 15 m² de varanda. Todo montado e decorado com escolhas para a vida, feito para um casal de meia idade que adora arte, vinho, gastronomia e receber amigos.

Ambientes

Com conceito de escolhas para a vida, o espaço considerou elementos sustentáveis para direcionar o projeto que já nasceu em uma linha atemporal e ainda terá suas peças reutilizadas. Em todos os ambientes há a presença de tons neutros, diferentes texturas de madeiras de reflorestamento, pedras e tecidos que foram utilizados para trazer uniformidade e acolhimento, complementado pela iluminação em LED. No living, destaque para o sofá com design inspirado nos anos 70, lançamento da Natuzzi que traz encosto motorizado para ajustar a profundidade do assento, e o piano de cauda Yamaha que toca sozinho e tem conexão com a internet. Entre as obras de arte, Cris optou por um quadro de Henrique Savas, da Galeria Helena Neckel, e a poltrona Berger Saarinen, do designer Eero Saarinen, que tem muitos dos seus trabalhos citados na lista dos melhores produtos já criados. Painéis de MDF fazem o revestimento das paredes e no piso madeira Tauari, totalmente sustentável.

Com uma grande ilha no centro da cozinha, o projeto convida as pessoas da casa e os visitantes a participarem do preparo das refeições. Tanto com a mão na massa ou simplesmente para curtir um bom vinho das adegas Art des Caves que compõe o ambiente. Duas torres, com capacidade para 147 garrafas cada, e outra para 198, revestem uma das paredes formando um grande painel, ideal para quem deseja dar destaque a sua coleção da bebida em um ambiente espaçoso e sofisticado. O espaço conta ainda com elementos que têm uma pegada mais industrial, como o cooktop com bocas mais robustas e uma estante aérea em serralheria iluminada, com marcenaria exclusiva da arquiteta. Para valorizar a ambientação junto à mesa de jantar redonda da Moad, com tampo catuaba e acabamento em laca preta fosca e pé dourado, a arquiteta selecionou uma obra do artista Kazuo Wakabayashi e investiu em uma parede de material vinílico que imita pedra.

No quarto Cris resgata o uso de camas, e não mais o tradicional modelo box, trazendo o couro marrom como revestimento para a base. A leveza e textura do ambiente fica por conta do uso do policarbonato nas portas dos armários, sendo que o produto também aparece nas portas pivotantes que separam o dormitório da cozinha e no hall de entrada do loft. Altamente sustentável e com uma textura incrível para acabamentos, o policarbonato está deixando de ser uma opção apenas da construção civil e passa a integrar projeto de interiores. O toque de cor vem dos quadros dos artistas Díptico J. Menson e Fayga Ostrower, que em suas gravuras apresenta rigor expressivo e um uso muito impactante da cor.

Finalizando o tour pelo Loft Duo, no banheiro e closet a arquiteta usa e abusa das pedras naturais, com destaque para o mármore Avohai utilizado na caixa que marca a área úmida e detalhes em seixo. A bancada das cubas e a parede de fundo possuem um aspecto metalizado, efeito do mármore Metalic, sendo que os metais utilizados são assinados por Jader Almeida e a abertura da água está sobre a bancada, em umas das mais variadas posições que a versatilidade das peças permite. O preto predomina o espaço de banho e é o tom também da 'caixa' dos chuveiros e vaso sanitário, da Avohai. Para dar privacidade, mas não fechar a comunicação entre os cômodos, uma persiana de madeira sintética, da Eco Wood, foi utilizada na divisória com o quarto. E o toque de luz do espaço vem da iluminação em LED, carro chefe de todo o projeto, que recebe um reforço especial da obra do pintor Henrique Savas.

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